Em julho de 1799, no meio do pó e de obras de reconstrução de um forte em Rashid, fora encontrada uma das “joias” da civilização egípcia: a Pedra de Roseta. Apesar de não sabermos quem exatamente a descobrira – muito possivelmente terá sido um trabalhador egípcio a mando dos franceses, que haviam chegado ao Egipto em 1798 –, quem registara o seu nome na História fora Pierre-François Bouchard, o oficial a cargo da empreitada. Uma grande e pesada pedra, usada nas fundações da estrutura, e coberta de inscrições suscitara o seu interesse. Estranhamente, texto estava gravado em 3 idiomas distintos: egípcio, demótico e grego. Na época, ninguém havia sido capaz de decifrar ou ler os hieróglifos que percorriam templos, estátuas e túmulos egípcios; quem os decifrasse desvendaria um mistério guardado por milénios. Muitos tentaram e falharam; contudo, dois cavalheiros de renome começariam, por volta de 1802, a verdadeira corrida ao decifrar deste sistema de escrita: Thomas Young – linguista e físico britânico –, e Jean-François Champollion – um jovem francês de origens humildes, mas com uma paixão arrebatadora pelo Antigo Egipto. Graças à astúcia e persistência deste último, o decifrar dos hieróglifos abriria uma nova página no entendimento das sociedades antigas através da escrita, e como tal mudaria para sempre a perspetiva que viríamos a ter sobre o País do Nilo.
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